Hoje, resolvi mudar o rumo do meu dia e segui a caminho do cinema. Estava só. Fui assistir a um filme com uma história boba de amor, só pra distrair, foi quando comecei a me dar conta do que estava acontecendo. Ao me sentar no meio do cinema para ter o melhor ângulo do filme, começo a perceber que mulheres lindas entravam na sala sozinhas, com uma expressão de quem pensa que aquele é o único momento de fugir da realidade, não só elas mas também rapazes se fizeram só nessa noite, daí tudo começou a mudar em minha mente...
Eu também estava só... E aquele filme idiota começou a ter sentido pra mim... Tanto eu como aquelas pessoas que não tinham um par estavam ali pelo mesmo propósito, pela ilusão de que é possível existir um amor incondicional, onde nossas existências passam a ter sentido pra alguém, onde podemos construir uma trilha sonora para cada momento, onde nossos olhos só veem um rosto, que nossos movimentos estão em sincronia com o do outro, e que todos nós, sem exceção, queremos ser preenchidos com a força do amor, pois essa parece a única forma de acreditarmos que não existe limites, de que não existe mal, de que não existe fim, que cada momento é o começo de tudo, só porque temos a quem amar e segurar na mão em momentos de insegurança...
Cada toque, cada olhar, cada palavra, cada momento de carinho e súplica de amor, cada tremor ao estar perto de quem se ama, nos faz pensar que por momentos quisemos estar no lugar dos mocinhos, onde nada pode os separar, nem a morte...
A cada cena, os rostos das pessoas mudavam de expressão, muitas eram de emoção, outras de tristeza, ou ainda de crença, de que um dia chegará sua vez... Se eu pudesse ver a minha expressão, acredito que seria de ceticismo, pois acho que o meu par nunca irá entrar por aquela porta e sentar ao meu lado, acho que a paixão que começa a me tomar não invade o peito daquele que é alvo dos meus batimentos cardíacos frenéticos e que estão fora de compasso, acho que por mais algum tempo permanecerei só...
As luzes se acenderam... O filme acabou... E com ele acabou o sonho de todos aqueles que estavam ali em busca de um conforto na solidão... A porta abriu, e todos saíram isolados, cada um com sua história de amor, mesmo que construída sozinha, mas de um valor sentimental sem igual... saí do cinema, e lá dentro ficou meu sonho romântico, pois sei que ainda não chegou a hora dela sair da ficção e invadir a vida real, afinal, ainda amo sozinha, ainda sofro sozinha, pois só de olhares minha paixão se fez, e mesmo meu coração batendo mais forte, o meu par sequer me imagina ao seu lado...
Sai... E estou com ingresso para a próxima sessão...

Oh amor...Que lindo! Bem minucioso e melífluo. Me identifico com tudo que escreveste. Pois vivo o mesmo dilema! Só espero que a luz do cinema não se apague sem um final feliz! Acredito que é isso que todo mundo idealiza.
ResponderExcluirRealmente Barbara... gostei do ponto de vista... na correria nunca observamos por esse lado, que bom q existem pessoas com essa visão pra nos mostrar o lado q não conseguimos enxergar sozinhos.. hehe.. Super curti!
ResponderExcluirSucesso!